Hoje, como ontem
exposto aos
fenômenos
corpo-
máquina, qual é
tua —tessitura? Sentes:
este abraço,
em tu-
a
—alma—?
a
—alma—?
Curioso
(ou sintomático) o verso que abre o livro de estreia do poeta Lauro
Marques: “Para mim basta”. O que soaria como senha de despedida ou
indício do fim é, em "Sumário de incertezas" (Confraria do Vento), via de
acesso a um universo lírico instigante, perturbador às vezes, desvelado
no singular “passeio pelo paraíso ou/ Inferno/ de delícias” proposto ao
leitor. Pórtico desse percurso, o poema “Intro” prenuncia o tom geral
do livro: “O belo não me agrada mais”, “Entrego a ti as tuas fadas” e
“Deixa-me morrer em paz/ Com meus demônios!” são versos que, articulados
com a renúncia da linha inicial, sinalizam uma poética elaborada não
com os artifícios consabidos e consagrados da beleza dúctil, de
contornos harmoniosos, mas forjada a partir do material duro extraído do
desamparo que intermedeia o contato do poeta com o mundo desolado que o
abriga.![]() |
| O poeta e o tradutor na arena da poesia |